
Post do Fernando Bacellar
Este ano em Cannes, pelo menos por um breve momento, o universo glamoroso de belas imagens, grandes montagens e retoques digitais deverá ser subjugado pelo tradicional nu e cru fotojornalismo.
Assim a Getty images, o maior banco de imagem do mundo, que provavelmente possui a maior parte de seu faturamento relacionado a imagens publicitárias, proporciona uma palestra que traz à tona uma questão controversa, porém de grande valor.
O que vemos agora é uma abordagem diferente quanto ao que é considerado como o melhor conteúdo visual, que tecnicamente e conceitualmente tem o poder de "arrancar" alguma reação do espectador.
Os grandes pioneiros deste tipo de linguagem, como a Magnum Photos, que foi criada por "Pelés" do fotojornalismo, como Cartier-Bresson e Robert Capa, até hoje se apoiam e sustentam sua credibilidade em trabalhos que buscam mostrar a real face do mundo em que vivemos.
Para a Getty não podia ser diferente. Apesar de como todos os outros também figurar entre os detentores de grandes acervos jornalísticos e autorais - premiados e reconhecidos por entidades como o World Press Photo - a questão agora é: será que o fotojornalismo pode ser utilizado como propaganda? A nossa dura realidade pode vir a ser usada como publicidade? A comunicação está pronta para isso? E o consumidor?
Acredito que este é um debate que deve ser discutido com seriedade e responsabilidade a fim de buscar uma finalidade político-social com o intuito de melhor direcionar o lado aspiracional do mundo atual, conseguindo assim (ou pelo menos tentando) aproximar pessoas e grandes marcas em prol de uma atitude positiva em relação aos problemas que assistimos (e até vivemos) em nosso dia-a-dia.